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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Consumindo (nos) Por Esther Vivas

Ano após ano se repete o mesmo ritual: chega o Natal e com ele os cânticos ao consumo e e compra sem limites. Nos dizem que necessitamos mais para ser mais felizes. Mas, isso é certo? Na realidade, e em um contexto de crise ecológica e climática global, de transbordamento dos limites do planeta, de desperdício coletivo…, deveríamos repensar nosso modelo de consumo e avançar no sentido de uma cultura de “ melhor com menos”, combatendo um consumo excessivo, antiecológico, supérfluo e injusto, promovido pelo mesmo sistema capitalista.
Entretanto, mais além da ação individual, que tem um valor demostrativo importante e que aporta coerência a nossa prática cotidiana, é fundamental a ação política coletiva, rompendo o mito de que nossas ações individuais por si mesmas geram mudanças estruturais. No ambio do consumo, por exemplo, podemos participar em grupos e cooperativas de consumo agroecológico, que a partir de um trabalho autogestionado, estabelecem relações diretas entre consumidores e trabalhadores rurais, evitando intermediários, promovendo relações de confiança e levando a cabo um consumo ecológico, solidário e de apoio ao mundo rural.
Mas é fundamental que esta ação política transcenda o âmbito do consumo, ir mais além, e estabelecer alianças entre diferentes setores afetados pela globalização capitalista e atuar politicamente. A situação de crise sistêmica do capitalismo, com suas distintas facetas: ecológica, financeira, alimentar, de cuidados, energética… faz mais necessário que nunca esta ação política coletiva. A criação de alianças entre trabalhadores rurais e urbanos, mulheres, imigrantes, jovens… é uma condição indispensável para avançar para esse “ outro mundo possível” que preconizam os movimentos sociais.
Com este objetivo diferentes organizações estão convocando uma greve de consumo para o próximo 21 de dezembro. Se trata de não adquirir nenhum produto ou serviço durante esse dia para expressar um rechaço claro a um sistema capitalista que nos têm conduzido a uma crise global sem precedentes, e que conta com o apoyo explícito de governos e instituições, mais interessadas em privatizar os serviços públicos, cortar salários e ajudar os bancos e as empresas privadas, que em apoiar quem mais necessita.
Motivos para sair as ruas não faltam, mas sobram.


( Trad. Português, Paulo Marques)***

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Simplicidade Voluntária..ser e não ter isso te descreve




Ter uma visão crítica frete a propaganda e publicidade. Descobrir a piada e rir  da grande maioria dos anúncios de tv que teimam em nos fazer desejar e ver como imprescindíveis seus produtos. Mostrar às  crianças onde estão o perigo do consumo desenfreado e fazer brotar o discernimento . O mundo não pode continuar extremamente consumista ,  hj grande parte não tem as suas necessidades básicas atendidas, e cada vez mais isso se agrava.
PArece brincadeira falanr isso em um pais em processo de crescimento, mas é esse o problema, as pessoas precisam ter as suas necessidades  atendidas, isto é ter uma vida, um pais um mundo sustentável... 
Enfatize a qualidade de vida acima da quantidade de vida.  a vida não pode ser fatiada em termos de TER e não de SER. Goste da  solidão, do silêncio, aproveite a sua companhia. Descubra maneiras novas de se relacionar consigo mesmo, com os seus, com seus amigos, vizinhos. Valorize os momentos e as coisas que você tem. 
Se permita  gastar mais tempo em coisas que você diz "é perda de tempo".   Aumentar a qualidade de vida com simplicidade não significa deixar toda as invenções tecnologica, científica, etc de lado...e sim  diminuir o desejo material o desejo de posse...
Simplicidade não significa necessariamente ter só coisas baratas, recicladas. Ela ressoa mais facilmente com preocupações com durabilidade, utilidade e beleza. Os itens devem ser escolhidos para durar e não como deseja a sociedade de consumo, para serem substituídos daí a pouco tempo. 
Sejamos  Felizes e simples...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Desobedeça - o Texto é grande mas vale a pena, um dos mais lindos que pude ler


 Desobedeça - Augusto de Franco
"Relações hierárquicas, relações de subordinação, que exigem obediência, baseiam-se na negação do outro. Agora nos cabe tirar as conseqüências dessa impactante constatação de Humberto Maturana.

Se você quer mesmo aprender a “fazer” redes, então sua primeira “prova” é: desobedeça!Um netweaver é, por definição, um desobediente. Porque é alguém que (desobedientemente) caminha fora dos trilhos (da subordinação).

A quem você deve desobedecer? Ora, a todos que querem obrigá-lo a obedecer. Em especial aos agentes de um velho mundo hierárquico e autocrático:DESOBEDEÇA aos ensinadores, que dizer, à burocracia privatizadora do conhecimento: aquela casta sacerdotal que constitui as escolas e academias.

Essas instituições geraram e continuam gerando um tipo curioso de agente que proliferou na modernidade: o colecionador de diplomas, que julga as outras pessoas pela sua capacidade de se enquadrar nos processos de ensinagem em vez de avaliá-las pela sua capacidade de aprendizagem.

Os diplomas são então um reconhecimento e uma validação do conhecimento ensinado e não do conhecimento aprendido. Tendo perdido o monopólio do conhecimento (se é que algum dia tiveram-no) as universidades tentam ainda reter em suas mãos o que lhes restou: o monopólio dos diplomas.Há também os que – por fora dos sistemas formais de ensino - se intitulam (ou são por alguém intitulados) mestres.

Alguns são ordenados para tanto, quer dizer, têm reconhecida por alguma organização hierárquica sua capacidade de reproduzir uma determinada ordem top down. E querem então imprimi-lo, emprenhá-lo, ou seja, enxertar suas idéias-implante em você, para que você se torne também um transmissor dessa ordem-virus.

Desobedeça a esses caras. Aprenda o que você quiser, quando quiser e do jeito que você quiser. Aprenda com seus amigos. E compartilhe o que aprendeu com quem você quiser, gerando mais conhecimento. Guarde seus conhecimentos nos seus amigos, não na cabeça dos professores, nas instituições que vivem para trancar o conhecimento e que estabelecem um caminho obrigatório cheio de barreiras e permissões para acessá-lo, ou nos livros submetidos à normas de copyright. Conhecimento trancado apodrece.

E não siga mestres de qualquer tipo: todos somos aprendentes. ‘Quando o “mestre” está preparado o discípulo desaparece’, quer dizer, ele não precisa mais da muleta do discípulo: pode se tornar, por si mesmo e em interação com outras pessoas, um aprendente, livre... e tão ignorante como todos nós. Mas enquanto eles estiverem pensando em conquistar discípulos, fuja dos “mestres”!
DESOBEDEÇA aos codificadores de doutrinas, que são todos aqueles que querem pavimentar, com as suas crenças religiosas (mesmo quando se declaram laicas), uma estrada para o futuro. Eles produzem narrativas ideológicas totalizantes para que você veja o mundo a partir da sua ótica, quer dizer, para que você não veja os múltiplos mundos existentes, mas apenas um mundo (o mundo inventado e administrado por eles: uma prisão para a sua imaginação).

Quando religiosos, os codificadores de doutrinas fornecem a justificativa para a ereção de igrejas e seitas. Quando políticos, urdem a base conceitual para a formação de correntes e grupos de opinião onde a (livre) opinião propriamente dita não conta para quase nada: o que conta é a ortodoxia de uma opinião oficial ou canônica, a qual tentam autenticar apelando para a revelação ou para a ciência.

Em todos os casos são engenheiros meméticos, manipuladores de idéias que inventam passado para legitimar certos caminhos (e deslegitimar outros) para o futuro. Fazem isso para controlar o seu futuro, para levá-lo (a sua alma ou o seu corpo) para algum lugar supostamente melhor, para um paraíso no céu ou na terra, quando, eles mesmos, não podem conhecer tal caminho (simplesmente porque não existe um caminho).
Desobedeça a essa gente. Não entre em suas armações, não replique seus discursos: pense com sua própria cabeça. Ria dos seus vaticínios e ameaças e ponha-se fora do alcance de suas patrulhas. Saia dos trilhos que eles assentaram, escape das valetas (os pré-cursos) que eles cavaram para fazer escorrer por elas as coisas que ainda virão: faça o seu próprio caminho.
DESOBEDEÇA aos aprisionadores de corpos, que não contentes em usar, comprar ou alugar, sua inteligência humana (que não tem preço), querem também mantê-lo cativo, fisicamente, nos seus prédios ou cercados. São feitores: antes usavam o chicote; hoje usam o relógio ou o livro de ponto, o crachá magnético ou o banco de horas. Nas empresas ou organizações hierárquicas, sejam privadas ou públicas, seqüestram seu corpo para manter você por perto, para poder vigiá-lo, para terem certeza de que você está de fato trabalhando para eles (que coisa, heim?). Não precisavam fazer isso se o seu objetivo fosse o de articular um trabalho coletivo compartilhado.

Mas o objetivo deles não é, na verdade, compartilhar nada com outros seres humanos e sim controlá-los-e-comandá-los, em certo sentido desumanizá-los, embotando sua inteligência, castrando sua criatividade, alquebrando sua vontade, para poder usá-los como objetos, para terem-nos disponíveis, sempre à mão, tantas horas por dia: querem um rebanho de servos de prontidão para lhes fazer as vontades.

Se quisessem que as pessoas trabalhassem com-eles e não para-eles não seria necessário – na imensa maioria dos casos – aprisionar os seus corpos: bastaria estabelecer uma agenda conjunta, com tarefas e prazos.

Desobedeça a esse pessoal. Monte seu próprio empreendimento individual ou coletivo compartilhado, empresarial ou social. Corra atrás do seu próprio sonho ao invés de servir de instrumento para realizar o sonho alheio. Sim, você é capaz.

A evolução investiu quatro bilhões de anos desenvolvendo seu hardware, que é igualzinho ao daquele cara esperto que quer capturá-lo e aprisioná-lo e que ainda por cima tem a desfaçatez de alegar que está fazendo um bem para a humanidade por lhe oferecer um emprego.

DESOBEDEÇA aos construtores de pirâmides, que são os que erigem organizações hierárquicas de todo tipo para mandar nos outros e obrigá-los a fazer (ou deixar de fazer) coisas contra a sua vontade ou sem o seu consentimento ou assentimento ativo. Desobedecer significa também abrir mão de mandar. Você é capturado pelo jogo perverso da obediência quando quer que as pessoas lhe obedeçam.
Desobedeça a esses chefes, em primeiro lugar, cortando o barato daquele construtorzinho de pirâmide que mora aí dentro de você: não faça patotas, não erija igrejinhas. Sim, é muito difícil resistir à tentação de juntar “os seus” e separá-los “dos outros”, mas – para quem quer fazer redes – é absolutamente necessário.

E, sobretudo, abra mão de querer mandar nos outros. Em vez de arquitetar organizações tradicionais para realizar qualquer projeto ou trabalho, teça redes: quase tudo que se organizou até agora de forma hierárquica (com estrutura centralizada) pode ser organizado em forma de rede (com estrutura distribuída); menos, é claro, os sistemas de comando-e-controle.
Em segundo lugar, não se enquadre docemente em sistemas de comando-e-controle. Se for obrigado a tanto para sobreviver, por um período (que não pode ser muito longo, do contrário você estará bloqueando seu desenvolvimento humano), faça-o resignadamente, mas sempre resistindo. Isso significa: não se curve a seu chefe, não lhe faça as vontades, vamos dizer assim, tão solicitamente.

Não seja tão prestativo, subserviente, serviçal. Não caminhe um quilômetro a mais para agradá-lo. Não fique na penumbra, recuado, servindo de escada para ele subir ou se destacar. Não faça o jogo. Não entre no jogo.
DESOBEDEÇA aos fabricantes de guerras, que são, stricto sensu, os chefes militares e, lato sensu, os que pervertem a política como arte da guerra e os que se entregam à competição adversarial tendo como objetivo destruir seus concorrentes. São, todos, predadores. O predador é uma máquina de converter o semelhante em inimigo. Não existem inimigos naturais ou permanentes: toda inimizade é circunstancial e pode ser desconstituída pela aceitação do outro no próprio espaço de vida, pelo acolhimento, pelo diálogo, pela cooperação.

Assim, o (único) inimigo que existe mesmo é o fazedor de inimigos.O predador é um produto da quebra da unidade sinérgica do simbionte (que poderemos ser no futuro, se o anteciparmos). Preda porque quer recuperar, devorando, suas contrapartes, num ritual antropofágico em busca da unidade perdida (aquela origem que é o alvo, para usar a expressão de Karl Kraus). É por isso que nos apegamos tanto à guerra do bem contra o mal.

Mas o problema, como disse Schmookler, é que o recurso da guerra é em si o mal.
Desobedeça a esses hierarcas. Recuse-se a entrar em organizações militares ou para-militares de qualquer tipo. Recuse-se a entrar em qualquer organização política de combate, que pregue que o bem só será alcançado com a destruição do mal. Recuse-se a olhar o diferente como adversário em princípio: em princípio todo ser humano é um potencial parceiro de outro ser humano, não um inimigo. Recuse-se a construir inimigos. Recuse-se a entrar em organizações que elegem inimigos para ser eliminados, física, econômica, psicológica ou politicamente.

A ética do netweaver é uma ética do simbionte, não do predador. Adote um comportamento pazeante para não cair na armadilha de travar uma guerra contra o mal, pois, assim procedendo, você mesmo estará gerando o mal ao construir inimigos em vez de fazer amigos, quer dizer, de fazer redes.
DESOBEDEÇA aos condutores de rebanhos, que são, em geral, os líderes que alcançaram popularidade pelo broadcasting para guiar as massas. Algumas vezes esses líderes são carismáticos e se dedicam a mesmerizar multidões em comícios, reuniões e manifestações. Ou pela TV e pelo rádio. Quase sempre são pessoas “pesadas”, que usam sua gravitatem em benefício próprio ou de um grupo, para reter em suas mãos o poder pelo maior tempo que for possível, transformando os outros em seus satélites. E odeiam os princípios de rotatividade ou alternância democrática.

Considere que, do ponto de vista social (ou coletivo, da rede), o modo intransitivo de fluição que gera o fenômeno da popularidade do líder de massas é uma sociopatia.

O liderancismo é uma praga que vem contaminando as organizações de todos os setores: segundo tal ideologia não se deve estimular a multi-liderança, senão afirmar a precedência da mono-liderança, do líder providencial e permanente, a prevalência do mesmo líder em todos os assuntos e atividades, como se essa – a liderança – fosse uma qualidade rara, de origem genética ou fruto de uma unção extra-humana.
Desobedeça a esses líderes. Não os siga para parte alguma. Não se deixe conduzir, ser puxado pelo nariz ou guiado pelo cabresto como se fosse uma cavalgadura. Não existem guias geniais dos povos. Nos sistemas representativos, as pessoas que você elegeu são seus empregados (mandatados pelos eleitores), não seus patrões.
Arrebanhamentos e assembleísmos são o contrário da interação humanizante entre as pessoas: transformam gente em gado, em contingente moldável e manipulável. Pule fora desse rebanho. “Inclua-se fora” dessas listas de excluídos que ficam olhando para cima de boca aberta, esperando pelas benesses de um salvador (pois o simples fato de pertencer a elas já é um indicador de exclusão, quer dizer, de incapacidade de pensar por si próprio e de andar com as próprias pernas).

Toda pessoa, se estiver disposta a desobedecer, será um alguém (com nome reconhecido) fora da massa, não um número numa estatística. Toda pessoa que desobedece, em um mundo ainda infestado por organizações hierárquicas, é um ponto fora da curva: alguém único, singular, insubstituível como você.
De uma maneira geral, você nunca deve obedecer a pessoas, sejam elas quais forem. Dizendo de uma forma ainda mais ampla: você nunca deve obedecer a nenhuma individualidade real ou imaginária, humana ou extra-humana, seja ela qual for.
VOCÊ DEVE DESOBEDECER ÀS LEIS?

Freqüentemente surge uma objeção: mas se as pessoas não obedecerem às normas da vida civilizada será o caos. Por isso, todos devem respeitar as leis.Será mesmo? Depende. Você não deve, por certo, romper com os pactos livremente celebrados por uma sociedade e que foram transformados em leis em um processo democrático.

Dizer que a democracia é o império da lei significa dizer que não ela não é o império de pessoas. Obedecer às leis significa, então, não-obedecer a pessoas. Mas isso depende do processo que fabricou as leis.Você não tem obrigação moral de obedecer às leis das ditaduras. Assim, leis de exceção podem ser desobedecidas. Por princípio, elas não têm qualquer legitimidade.

A legitimidade é o resultado da confluência de vários critérios democráticos: a liberdade, a publicidade, a eletividade, a rotatividade (ou alternância), a legalidade e a institucionalidade. Sim, não basta alguém ter sido eleito para ter legitimidade.Tais critérios – ou alguns deles – são violados não somente pelas ditaduras clássicas, mas também por protoditaduras e, ainda, se bem que em menor escala, por democracias parasitadas por regimes manipuladores.

Você mesmo avaliará até onde vão as normas estabelecidas por processos que violam os critérios acima. Se achar que violam, desobedeça-as. E esteja preparado para arcar com as conseqüências, é claro.Um princípio geral da ética do simbionte poderia ser: o único objetivo realmente humano (e humanizante) das leis é assegurar a convivência pacífica das pessoas em uma sociedade. Todo o resto é o resto.

VOCÊ DEVE DESOBEDECER AOS DIRIGENTES DAS ORGANIZAÇÕES POLÍTICAS A QUE PERTENCE?

Eis aqui outra questão recorrente. Liminarmente, você não deve pertencer a organizações que não tomam a democracia como um valor.Ora, com exceção das leis democraticamente aprovadas, a democracia não pode aceitar que alguém faça alguma coisa que não quer ou deixe de fazer alguma coisa que quer em virtude de sanção ou ameaça de sanção proveniente de instância hierárquica.

Portanto, respeitado o pacto de convivência, é legítima a desobediência política e ninguém é obrigado a acatar uma decisão com a qual não concorde ou mesmo concordando não queira acatar, por medo de sanção, ainda que tal decisão tenha sido tomada por maioria. Obediência nada tem a ver com colaboração, que pressupõe adesão voluntária, seja por concordância, seja por resultado de convencimento ou por livre assentimento.

Assim, em coletivos políticos de adesão voluntária, nenhum tipo de disciplina deve ser imposto e nenhum tipo de obediência deve ser exigida dos participantes, além daquelas às regras a que voluntariamente aderiram. Nenhum tipo de sanção pode ser imposta aos participantes, nem mesmo em virtude do descumprimento das regras a que voluntariamente aderiram. Todos têm o direito de não acatar decisões.

Ordem, hierarquia, disciplina e obediência, vigilância (ou patrulha) e punição; e fidelidade imposta top down, são virtudes de sistemas autocráticos. Nada disso tem a ver com a democracia. Quanto mais autocrática for uma organização, mais ela insistirá na exaltação de tais “virtudes”. As razões para isso são tão claras que dispensariam comentários. Todas as organizações não-estatais e não baseadas em contratos (de trabalho ou de prestação de serviços) são (ou deveriam ser) constituídas por adesão voluntária. Em organizações voluntárias, obedece quem concorda. Querer exigir disciplina e obediência em relações sociais (stricto sensu) é um absurdo.

Impor sanções para quem não obedece é uma violência e, como tal, um comportamento antidemocrático.Organizações que visem chegar à (ou praticar a) democracia (no sentido “forte” do conceito), não podem se organizar autocraticamente para atingir seus fins. Não existe caminho para a democracia a não ser a democratização contínua das relações; ou, parafraseando Mohandas Ghandi, não existe caminho para a democracia: a democracia é o caminho...

VOCÊ DEVE DESOBEDECER AOS SEUS PATRÕES?

Outra objeção freqüente é a obediência àquele que paga o seu salário: como você pode não obedecer aos seus patrões se tem que sobreviver?
Uma boa regra geral seria: nunca trabalhe para alguém e sim com alguém. Todas as coisas podem ser feitas em parceria. A obediência não é necessária.Mas é você quem decide. Quanto mais você trabalha para alguém, menos alguém você é. O espírito de liberdade é a fonte de toda criatividade! Para sentir esse sopro criador só há uma via: desobedeça!
Você não concorda e querem que você faça assim mesmo? Desobedeça! Uma pessoa vale muito mais do que a bosta de um emprego.

É preciso considerar que a organização piramidal trabalha para o cume. Ela trabalha para o centro, para o chefe, para o líder. E as pessoas que trabalham em geral não aparecem, pois seu papel precípuo é o de fazer o chefe aparecer. Aí o chefe fica contente e mantém tais pessoas nas suas funções (empregadas ou contratadas). Se o chefe ficar muito contente com o resultado, pode até retribuir com uma promoção do "colaborador" que lhe fez tão bem as vontades.

Ocorre que quando um conjunto de pessoas aplica seus talentos para promover uma atividade, todas as pessoas devem aparecer. Para quê? Ora, para poder ser reconhecidas, para poder compartilhar, aumentar e desenvolver esses talentos.

Essa é uma característica central daquele tipo de inteligência tipicamente humana de que falava Humberto Maturana: uma inteligência que cresce e se realiza com a troca, com o jogo ganha-ganha, com a colaboração. Uma inteligência colaborativa.

Se as pessoas abrem mão de fazer isso em prol da projeção de outras pessoas que estão acima delas na estrutura hierárquica, elas estão renunciando, em alguma medida, a exercer suas qualidades propriamente humanas. O diabo é que os funcionários burocráticos e outros empregados ou prestadores de serviços em organizações hierárquicas já introjetaram tão fundo as idéias que sustentam tais práticas, que o hábito, já não diria de servir, mas de ser serviçal, se instalou no andar de baixo da sua consciência e emerge como uma pulsão.

Freqüentemente eles se escondem para promover seus superiores, tendo medo, inclusive, de proferir uma opinião própria em uma reunião, escrever um artigo em um blog, dar uma entrevista ou gravar um vídeo para um meio de comunicação. Essas pessoas até se orgulham de habitar a penumbra e se vestir de cinza, adotando a servidão voluntária e, com isso, violando sua própria humanidade ou, no mínimo, deixando de explorá-la e desenvolvê-la como poderiam.

Alguns fazem isso conscientemente, em troca do emprego ou da contratação. Argumentam que se não obedecerem e fizerem a vontade dos chefes, perderão a remuneração sem a qual não terão como viver. Mas dá no mesmo. Se, para sobreviver, uma pessoa precisa castrar suas potencialidades, então tal sobrevivência não poderá ser digna. Um trabalho que deixe de promover o desenvolvimento humano de quem trabalha não pode ser digno.

Os chefes, por sua vez - como aquele senhor de escravo, escravo do escravo, a que se referia Hegel, em outros termos - também estão aprisionados neste círculo desumanizante. Estão intoxicados pelas ideologias do comando-e-controle e do liderancismo, segundo as quais se não for assim, as coisas não funcionam. De que alguém tem sempre que liderar - quer dizer, deixando a frescura de lado e traduzindo em bom português: mandar nos outros - para que uma ação possa ser realizada a contento. Por isso não se adaptam à cultura e à prática de rede, onde não é possível mandar alguém fazer alguma coisa contra a sua vontade.

É por isso que organizar as coisas em rede distribuída é um desafio tremendo em um mundo ainda infestado, em grande parte, por organizações hierárquicas.Quando organizações hierárquicas se interessam por redes, quase sempre esse interesse é instrumental. Querem usar as redes para obter alguma coisa que fortaleça os seus objetivos e a manutenção das suas estruturas... hierárquicas!

Seus chefes – e isso quando mais ilustrados – acham que usando as "tecnologias de rede" vão conseguir aumentar sua influência, seu poder ou, quem sabe, suas vendas (daí todo esse súbito interesse cretino pelo tal "marketing viral", de resto uma vigarice).

As organizações hierárquicas - em termos do ser coletivo que se forma, diga-se: não, é claro, das pessoas que as integram - não vêem as redes como fim, como uma nova forma de interação propriamente humana ou humanizada pelo social, e sim como meio para alguma coisa não-humana. Sim, organizações hierárquicas de seres humanos geram seres não-humanos. A afirmação é forte, mas não há como dizer de outro modo se quisermos ir ao coração do problema.

Entenda-se bem: as pessoas continuarão sendo humanas, mas o ser coletivo que se forma não será, posto que não será 'social' (naquele especialíssimo sentido que Maturana empresta ao termo).

QUEBRANDO O CÍRCULO VICIOSO DO PODER

Em que medida você tem coragem de desobedecer e arcar com as conseqüências? A resposta a essa pergunta define o seu campo de liberdade e de possibilidade.Dependendo das circunstâncias, desobedecer pode acarretar demissão, reprovação, agressão, perseguição, condenação, prisão, tortura, mutilação e morte. Você não deve se suicidar.

Quando não há condições objetivas para desobedecer (ou seja, quando isso colocar em risco a sua vida ou a vida de terceiros, a sua liberdade ou a liberdade de seus semelhantes) você deve avaliar cuidadosamente os riscos e as possibilidades. Mas nunca deve deixar de desobedecer interiormente. O que importa aqui é sua atitude, vamos dizer assim, espiritual, de desobediência.

Não se curve, não se abaixe, não se deixe instrumentalizar, não se conforme em ser mandado, não colabore (voluntariamente) com o poder vertical. Desobedecer é, antes de qualquer coisa, resistir.Quando você resiste ao poder vertical, você estabelece uma sintonia com as grandes correntes de humanização do mundo.

Quando você cede, sujeitando-se a alguém ou sujeitando outras pessoas a você (no fundo, dá no mesmo), contribui para desumanizar o mundo e a você mesmo.O mais importante é: não faça um pacto com a morte. Sim, toda vez que você vende sua alma, sujeitando-se a alguém ou toda vez que você sente um ímpeto de controlar alguém, é sinal de que uma pulsão de morte está irrompendo na sua vida.Se organizações hierárquicas de seres humanos geram seres não-humanos, ao obedecer voluntariamente aos chefes, enquadrando-se nas dinâmicas dessas organizações, você está, na verdade, subordinando-se a seres não-humanos.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

biogás

Biogás é o nome dado a um combustível gasoso obtido pela digestão anaeróbia  de compostos orgânicos (resíduos) e que é basicamente composto por metano (CH4) e dióxido de carbono (CO2), podendo ser utilizado para geração de energia com aplicações, principalmente no meio rural. Sua utilização para geração de energia foi produto das descobertas de diversos cientistas (o biogás foi descoberto por volta de 1661 por Shirley, mas foi Alessandro Volta que descobriu a presença de metano no gás produzido em pântanos e foi Ulysse Gayon que, no século XIX, descobriu os mecanismos do processo de decomposição anaeróbia. Humphrey Davy identificou o mesmo gás proveniente da decomposição de dejetos animais, sendo que Louis Pasteur  foi quem primeiro sugeriu sua utilização para uso no aquecimento e na iluminação pública, o que seria feito pela primeira vez em 1857, na Índia), e o biogás também pode ser produzido de forma espontânea em qualquer lugar onde ocorra a decomposição de matéria orgânica com pouca ou nenhuma presença de oxigênio na forma gasosa como, por exemplo, nos mares e lagos, usinas de carvão, jazidas petrolíferas, estuários e claro, pântanos.
O principal componente do biogás é o metano (CH4), cerca de 65%, um hidrocarboneto de cadeia curta e linear que é o responsável pela geração de energia. A maior ou menor presença de metano no gás, portanto, é o que indica sua qualidade ou pureza e o que determina o poder calorífico.
Outro gás presente em grande quantidade no biogás é o dióxido de carbono (CO2) com cerca de 35%. Outros gases que compõem o biogás são: nitrogênio (N2), hidrogênio (H2), oxigênio (O2) e gás sulfídrico (H2S), todos com uma participação de 0 a 1% na composição do gás.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Arquiteto chinês cria casa em forma de ovo para escapar do aluguel Residência móvel é feita de bambu, colchões e material isolante impermeável

O arquiteto Dai Haifei, de 24 anos, encontrou uma solução criativa para escapar dos galopantes preços de aluguéis na capital da China, Pequim.

Haifei construiu uma "casa" em formato de ovo perto do escritório onde trabalha, e tem vivido nela nos últimos dois meses.

A residência móvel, que não tem banheiro ou chuveiro, é feita de bambu e colchões cobertos com material isolante e resistente à água.

Para tornar o projeto, que custa cerca de R$ 1.700 (US$ 1.000), ainda mais ecológico, o jovem arquiteto cobriu o ovo com sacos cheios de casca de árvore processada e semente de grama, que cresce durante a primavera.

 Fonte R7

Espanhola registra em cartório que é dona do Sol

Pode uma coisa dessa????

Ángeles Durán mora em Salvaterra de Miño, na Galícia (Espanha). Vive a 149.600.000 quilômetros do Sol, e, obviamente, nunca colocou os pés lá. Mas registrou em cartório a posse da estrela. Sim, segundo o documento, Ángeles é proprietária desse astro que agita o verão do Rio, que está na bandeira da Argentina, que é tratado como deus por alguns povos...

Ao jornal "La Voz de Galicia", a espanhola explicou:

"Existe um acordo internacional que não permite que países sejam donos de planetas. Mas esse acordo não se aplica a pessoas. Existe um americano que se tornou dono de quase todos os planetas e da Lua, mas não do Sol".

A espanhola viu então uma brecha e aproveitou para fazer um "bom negócio".

"A aquisição da referida propriedade constitui uma apreensão eletromagnética e radiativa, ao não existir ou não se conhecer em cinco milhões de anos qualquer proprietário", afirma a escritura.

Ángeles diz que estuda cobrar um imposto a todos que utilizem a energia solar. Parte do dinheiro arrecadado seria usado para acabar com a fome no mundo e pesquisar tratamentos para doenças.

Fonte: O Globo

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

"O maior desafio é humanizar" - Dia Mundial de Luta Contra a Aids

pastoral da Aids

Nunca se falou tanto em SOLIDARIEDADE como resposta humana-cristã frente à doença. Também, surpreendentemente, nos defrontamos com estigmas, preconceitos, discriminações que pensávamos serem já águas passadas. Esta mesma sociedade que se proclama, a nível teórico, democrática, humanista e solidária, no concreto da vida fecha as portas aos mais fracos. Quem compreende e se compromete procura ver a AIDS com a maior objetividade possível, como fenômeno humano-médico-sanitário e social. Não julga facilmente, pois vê que todos somos co-responsáveis pelas causas das graves doenças da civilização. O maior desafio não é moralizar, sim humanizar, viabilizando expressões reais de solidariedade humana. Nem rir nem chorar, mas comprometer-se numa ação que supera o individualismo e seja expressão comunitária de solidariedade humana frente à realidade. (pe. Leo Pessini)

Dia internacional de combate a AIDS

Nunca é demais ressaltar como o Vírus se transmite:
 
Através de relações sexuais, pelo contato com o esperma ou com a secreção vaginal contaminados;

  • Através de troca de sangue. Se a pessoa receber, por exemplo, transfusão de sangue ou de produtos derivados de sangue (fator de coagulação usado pelos hemofílicos por exemplo);



  • Se partilhar agulhas e seringas contaminadas, como no uso de drogas injetáveis;
  • Durante a gravidez, na hora do parto ou durante a amamentação a mãe infectada pode passar o vírus para o filho. 
  • Como evitar a transmissão? 

    Podemos evitar a transmissão através de práticas sexuais sem risco. Carícias, abraços, beijos no corpo, masturbação não oferecem perigo de contágio.
    O sexo oral deve ser evitado, pois tem algum risco.
    Na penetração vaginal ou anal, o risco é muito grande, mas pode ser evitado com o uso da camisinha.
    Nunca partilhe agulhas ou seringas, elas devem ser usadas uma única vez e por uma só pessoa.
    Se você é soropositivo não doe sangue. Se você se ferir, por exemplo, deve desinfetar todo o material (com álcool ou água sanitária) que entrar em contato com o sangue. A água sanitária deve ser usada na proporção de 1:5 (diluir um copo de 200 ml de água sanitária para 5copos de água), durante 30 minutos. O álcool deve ser usado sem diluir durante15 minutos, com lavagem prévia de água e sabão. O material também pode ser esterilizado através da fervura durante 15 minutos.
    Todo soropositivo deve ter muito cuidado com a alimentação e a higiene. Se possuir animal doméstico, também deve ficar atento com as doenças que eles possam transmitir. 

    Não há perigo de transmissão...
    ... através de:
    aperto de mão;
    tosse e espirro;
    beijos e carícias;
    vestuário
    alimentação;
    picadas de insetos;
    piscinas;
    vasos sanitários, banheiros e chuveiros;
    contato com animais domésticos;
    pratos, talheres, copos e outros objetos.

    terça-feira, 30 de novembro de 2010

    Curso da FABHAT

    Acabamos hoje o curso de capacitação em projeto spara o FEHIDRO...

    Aconteceram as apresentações com vários projetos muito interessantes, acredito que todos tenham potencial para levar em frente e apresentar no edital de 2011...




    Conhecemos pessoas, trabalhamos em grupo...foi muito produtivo esse mês de curso.

    terça-feira, 23 de novembro de 2010

    Fundação Agência da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê



     
    Rio Tietê

    A Agência da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê –  FABHAT foi criada pelo CBH-AT a partir da constatação por este da necessidade de um braço executivo descentralizado, ágil e eficiente na promoção das gestões que por si são deliberadas. Veio prevista dentro de um contexto institucional e sistemático, devendo desempenhar um papel preestabelecido por lei independentemente de interesses de parte a parte, sendo, entretanto, desejável para desempenhar suas funções a articulação com os outros atores que, direta ou indiretamente, compartilham a responsabilidade do gerenciamento da Bacia.

    http://www.fabhat.org.br/site/index.php
     

    domingo, 7 de novembro de 2010

    Fundo Nacional sobre Mudança do Clima

    O estabelecimento de uma política para mudanças do clima é uma lei inovadora que veio a estabelecer princípios, objetivos, diretrizes e instrumentos da política nacional sobre o tema, a Lei que cria a PNMC veio na esteira do que negociamos e acordamos na reunião das Nações Unidas para o Clima, ocorrida em Copenhague em dezembro passado. Isso porque, já na COP-15, o Brasil anunciou suas metas de redução entre 36,1% a 38,9% de suas emissões de gases de Efeito Estufa projetadas até 2020. Dias depois, fizemos constar em norma esse compromisso voluntário, através do Art. 12 da nova Lei.

    Além de fixar o compromisso de redução de emissões, a Lei estabelece os princípios jurídicos que nortearão a política climática nacional, como a precaução, a participação cidadã, o desenvolvimento sustentável e o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas – cada país tendo responsabilidade apenas na medida de sua contribuição para o aquecimento global. Nota-se, nesse quesito, utilização dos princípios já consagrados na Constituição Federal de 1988 e a adoção de princípios do Direito Ambiental Internacional, que são a base da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (CQNUMC).

    A Lei estabelece, ainda, os instrumentos da PNMC e dentre eles pode-se destacar a possibilidade de se estabelecer medidas fiscais e tributárias (incluindo aplicação de alíquotas diferenciadas, isenções e incentivos) destinadas a estimular as emissões e remoção dos GEE, e o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, que tem por finalidade assegurar recursos para mitigação e adaptação, apoio a projetos ou estudos e financiamento de empreendimentos. A criação de um fundo que se preste à ampliação do combate às mudanças do clima no Brasil é um avanço, pois ocorre concomitantemente à disposição dos países desenvolvidos em investir US$ 100 bilhões até 2020, um dos avanços verificados em Copenhague.

    Sem dúvida, com a garantia da disponibilização de recursos para esse fundo, algo em torno de R$ 1,043 bilhão de reais, será possível implementar as medidas previstas.

    sábado, 6 de novembro de 2010

    SP vai fechar empresa que não cuidar do próprio lixo

    Lojas, bares e restaurantes que colocarem mais de três sacos de lixo na rua para o caminhão levar poderão ter seus alvarás cassados. É o que promete a Prefeitura de São Paulo, oito anos depois de a regra entrar em vigor.
    Toda empresa que produz mais de 200 litros de lixo --equivalentes a três sacos-- por dia tem de contratar transportadores particulares para dar uma destinação aos seus resíduos. É o que está na lei, aprovada em 2002.
    Das cerca de 12 mil toneladas diárias de lixo recolhidas pelas duas concessionárias do serviço na cidade, aproximadamente 10% vêm de empresas que, pela lei, teriam de cuidar do próprio lixo.
    Atualmente, 4.147 empresas estão cadastradas na prefeitura como "grandes geradores", nome técnico para pessoas jurídicas que produzem mais de 200 litros de lixo por dia. Outras 5.450 estão com os cadastros vencidos.
    Pode parecer muito, mas não é. Estima-se que mais de 100 mil estabelecimentos comerciais ou de serviços --de um total de 1 milhão--, além de prédios comerciais, se enquadrem nesse limite.
    O secretário municipal de Serviços, Dráusio Barreto, aposta que as novas ações serão importantes para mudar o comportamento das empresas. "Agora, não será mais só multa. Nós vamos poder até suspender em definitivo a licença de funcionamento da empresa", disse.
    Prevista na lei de 2002, a cassação da licença nunca foi aplicada. "Faltava a regulamentação. Agora temos", diz Barreto sobre decreto do prefeito Gilberto Kassab (DEM), publicado hoje no "Diário Oficial" da cidade.
    EXIGÊNCIA ANTIGA
    A ação vem sendo reivindicada há tempos pelas empresas de coleta de lixo. Elas reclamam que têm de coletar resíduos que não são de sua responsabilidade _os contratos preveem a coleta apenas do lixo domiciliar, excluindo grandes geradores.
    O valor que as empresas recebem é fixo, independentemente da quantidade coletada. Quanto mais lixo, mais caro fica para as empresas, pois são necessários mais caminhões, mais funcionários, mais espaço nos aterros etc.
    "Há estabelecimentos públicos que também precisam se enquadrar. Tinha um hospital que gerava de três a cinco toneladas de lixo normal por dia. Esse se enquadrou, mas outros não", diz Nelson Domingues, presidente da concessionária Ecourbis.
    A prefeitura informou que os órgãos públicos também terão de se enquadrar, exceto os da administração direta, como escolas municipais.

    AGORA ME DIGAM PORQUE EXCETO A ADMINISTRAÇÃO DIRETA????

    Não seria a hora de implantar a coleta seletiva nas escolas???

    http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/826317-sp-vai-fechar-empresa-que-nao-cuidar-do-proprio-lixo.shtml

    quinta-feira, 4 de novembro de 2010

    Vamos tomar suco....Aproveite o verão

    Suco de laranja, beterraba e cenoura

    A laranja é uma das frutas mais populares no Brasil e está geralmente associada à vitamina C, antioxidante que protege as células contra danos causados pelos radicais livres (produzidos no organismo com a queima de oxigênio). Uma laranja de tamanho médio contém cerca de 70mg desta vitamina. Mas a laranja não é apenas fonte de vitamina C. Ela tem ainda quantidades menores de outras vitaminas e minerais como betacaroteno, tiamina, folato e potássio.
    Já a beterraba é o vegetal que possui o maior índice de açúcar, cerca de 50 kcal por xícara. Quando usada em sucos naturais, fornece boas quantidades de carotenóides, responsáveis pela cor vermelha e antioxidantes, ou seja, ajudam a evitar que o colesterol ruim se acumule nas paredes das artérias. As beterrabas cruas são ainda uma excelente fonte de ácido fólico, uma vitamina do complexo B muito importante para as mulheres grávidas e para aquelas que pensam engravidar. Esta vitamina, além de importante para evitar um tipo de anemia, diminui significativamente o risco de o feto desenvolver uma malformação da medula espinhal.
    A cenoura é uma grande fonte de betacaroteno, que se converte em vitamina A no organismo humano. Essa vitamina é essencial para a visão, a integridade da pele e das mucosas. Combinando esses três ingredientes, temos um suco extremamente nutritivo e que só deve ser evitado por diabéticos, devido à alta concentração de açúcar na beterraba.
    Valor calórico: 90 kcal em 100 ml de suco
    Suco de goiaba

    Mais consumida in natura ou na forma de doces e compotas, a goiaba é uma excelente opção para sucos. Aliás, o suco de goiaba já é bastante difundido no nordeste brasileiro. As goiabas têm quase cinco vezes mais vitamina C do que as laranjas. Comparando, 100 g de goiaba contêm 275 mg de vitamina C, ao passo que a mesma quantidade de laranja fornece 57mg. A fruta é ainda uma boa fonte de potássio e ferro. Por conter apenas 60 calorias, em média, a goiaba é uma sobremesa prática, deliciosa e de poucas calorias. Pode ser consumida inteira ou em pedaços, sozinha ou em saladas de frutas.
    Valor calórico: 50 kcal em 100 ml de suco.

    segunda-feira, 1 de novembro de 2010

    Brasil tem a primeira mulher presidente: Dilma Rousseff

     
    31.10.2010
    Brasil tem a 1ª mulher presidente: Dilma Rousseff. O Brasil elegeu hoje, 31 de outubro de 2010, a primeira mulher presidente da República. Dilma Rousseff venceu com 56,05% dos votos válidos. Seu adversário do PSDB, José Serra, teve 43,95%.
    Os brasileiros foram às urnas no domingo que antecede o feriado de 2 de Novembro com a convicção de que o projeto iniciado pelo governo Lula em 2003 será aprofundado e aprimorado por Dilma. Ainda hoje, a presidente eleita deve fazer um pronunciamento no hotel em Brasília onde acompanha a apuração dos votos com seus aliados.
    Reunidos num hotel em Brasília para acompanhar a apuração dos votos, aliados da candidata Dilma Rousseff traçaram o caminho que deve ser seguido pelo novo governo. Mais do que a continuidade, Dilma vai imprimir seu estilo no governo que vai aprimorar os programas sociais e garantir o crescimento econômico.

    Segundo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, Dilma vai cumprir a meta de erradicação da miséria e manter a integração entre crescimento econômico e inclusão social. “O governo Dilma vai ser um outro governo. Ela vai dar seu tom e estilo, e aprofundar o que governo Lula começou. O Brasil pode e tem que erradicar a miséria. E a integração entre crescimento e divisão da riqueza vai ser a marca do governo da presidenta Dilma Rousseff”, acrescentou Temporão.

    domingo, 31 de outubro de 2010

    Diversas maneiras de reaproveitar a borra de café

    A borra de café, que é normalmente jogada no lixo, pode ser reutilizada de diversas maneiras. O CicloVivo separou algumas dicas simples de como reaproveitá-la.
    Para eliminar o mau cheiro dos encanamento da cozinha, basta usar a borra de café uma vez por semana. Basta despejar meia xícara de borra de café no ralo e imediatamente jogar a água fervente. O ideal é que sejam despejadas pelo menos cinco xícaras de água fervente depois da borra. A água empurrará os grãos e o encanamento deve permanecer sem cheiro por uma semana.
    A borra de café é um excelente corante e pode ser utilizada para tingir objetos, desde tecidos à mobília. Para fazer o corante, basta colocar a borra dentro de um filtro e mergulhá-la em duas xícaras de água quente, de cinco a dez minutos e então ele estará pronto para o uso. Para objetos maiores, é necessário usar mais borra e mais água.
    Os resíduos do café são extremamente abrasivos e ácidos, o que lhe dá uma vantagem quando se trata de limpeza difícil como panelas e cinzeiros com manchas. Se os objetos forem resistentes à mancha, basta misturar a borra com um pouco de água e esfregar com uma escova firme, assim a limpeza fica muito mais facilitada.
    Ela também é uma excelente fertilizante para o solo do jardim, além de ser um pesticida natural. Mas é particularmente boa para o crescimento de cenoura e rabanete. Antes de plantar é só misturar a semente com a borra de café.
    Colocar a borra seca dentro de uma meia-calça velha, fechar e amarrar a meia, é um jeito fácil de fazer sachês desodorizantes para armários ou qualquer área que precise ser refrescada. Os resultados vão durar por algumas semanas, talvez por um mês. Você pode aplicar o mesmo método ao seu congelador.
    Em termos cosméticos a borra de café intensifica a cor do cabelo marrom ou preto e também dá um brilho extra. Esfregando o pó no couro cabeludo, a saúde da pele é melhorada, ajudando a evitar caspa. A técnica também dá um brilho especial aos pelos dos cachorros.
    Pode servir também como inibidor de poeira. Antes de limpar uma lareira, vale colocar sobre as cinzas e a fuligem uma quantidade de borra molhada. Ela absorverá a poeira rapidamente, facilitando a limpeza e evitando que a poeira se espalhe pela casa.
    E pra finalizar, o café que sobrou pode servir como amaciante de carne. O bife ficará mais macio e o café lhe dará um sabor diferente. (fonte Ciclo vivo - plantando noticias)
    O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) promove o projeto Justiça na Escola, com o objetivo de aproximar o Judiciário e as instituições de ensino do país no combate e prevenção dos problemas que afetam crianças e adolescentes.
    Haverá debates sobre temas como combate às drogas, bullying, violência nas escolas, evasão escolar, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e cidadania, com a participação de juízes, professores, educadores, técnicos em psicologia e serviço social, alunos e pais, entre outros. Busca-se estimular o trabalho articulado entre as instituições de Justiça Educação.
    O Justiça na Escola é promovido pelo CNJ em parceria com as Coordenadorias de Infância e Juventude dos Tribunais de Justiça de todo o país, associações de magistrados e órgãos ligados à educação.
    Para baixar a cartilha use o link abaixo.

    http://www.cnj.jus.br/images/Justica_nas_escolas/cartilha_web.pdf

    quarta-feira, 27 de outubro de 2010

    LOCALIZAÇÃO DO CONSULTÓRIO

    Elizabeth Barbosa - psicologia
     
    Rua Jarinu, 484 Tatuapé - São Paulo - SP CEP.: 03306 -300

    Tel. (11) 2295 9117 / (11) 2942 0385 (11) 3854 6997
    Cel. (11) 996300954 (vivo)


    COMO CHEGAR

    quinta-feira, 14 de outubro de 2010

    MMA propõe que população use sacola retornável no Dia do Consumidor Consciente

    Neste 15 de outubro, para comemorar o Dia do Consumidor Consciente, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) lança uma campanha em forma de pergunta aos consumidores: "Onde está a sua ecobag?". O objetivo é estimular o consumidor a levar a sua própria sacola retornável para as compras e evitar as sacolas plásticas, que causam muitos prejuízos ao meio ambiente -entopem bueiros, causam enchentes, poluem os mares e matam tartarugas, que as comem, confundindo-as com alimentos marinhos.
    Um dos lemas da campanha é: "Para ser consumidor consciente não basta ter sua linda sacola retornável de enfeite em casa, é preciso usá-la!" Em 2009, o desafio de "Um dia sem sacolas plásticas" foi aceito, lembra o MMA. Muitos cidadãos apoiaram a iniciativa e compararam ecobags e, em um ano de campanha Saco é um Saco, fortalecida pela parceria com grandes redes de supermercados e empresas, foi possível evitar o consumo de cerca de 1 bilhão de sacolas plásticas.
    Segundo o ministério, a consciência sobre os impactos das sacolinhas no meio ambiente cresceu, como também as vendas de ecobags. Seja como item de venda, acessório fashion ou reflexo da preocupação ambiental, as sacolas retornáveis se alastraram pelo Brasil. Agora, neste Dia do Consumidor Consciente, o MMA quer perguntar a quem comprou as sacolas retornáveis: onde estão elas? Estão sendo utilizadas? Se tantas ecobags foram vendidas, por não se vê mais consumidores utilizando-as no dia-a-dia?
    Os técnicos da pasta dizem que, depois de conscientizar a população, é preciso mudar velhos hábitos na prática. Por isso, os consumidores estão sendo convocados a tirarem suas ecobags do armário de casa ou do porta-malas do carro, para transportarem tudo o que consumirem, sejam as compras de supermercado, de roupas, de livros, de eletrônicos ou de brinquedos.
    No Brasil , estima-se que 1,712 milhão de sacolas plásticas são consumidas a cada hora, ou seja, 41 milhões em 24 horas, 1,25 bilhões por mês e 15 bilhões por ano.
    Incentivo do setor privado
    Neste ano, grandes empresas também toparam o desafio e estão apoiando a campanha. A Unilever doou mil sacolas retornáveis, que serão distribuídas pelo Homem-Ecobag no dia 15 de outubro, no estande do MMA, montado na 29ª Feira do Livro de Brasília, que acontece no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade.
    Quem passear pela feira também ganha fitinhas do estilo Senhor do Bomfim, doadas pelo Carrefour, com mensagens personalizadas para lembrar o brasileiro a levar sua ecobag quando for às compras. Ao todo, serão distribuídas duas mil fitinhas na Feira do Livro. Outras duas mil fitinhas doadas pela rede de supermercados serão distribuídas pela Secretaria do Ambiente do Rio de Janeiro para as pessoas que passarem pela Cinelândia ou pela Praça XV, no centro do Rio.
    Ainda no dia 15, o Carrefour distribuirá mais 2 mil fitinhas em São Paulo, na loja de Pinheiros, e promoverá o Dia da Sacola Cheia, para divulgar o Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis do MMA e apresentar os resultados alcançados nas lojas de Piracicaba e Jundiaí, ambas no interior de São Paulo, onde as sacolas plásticas foram banidas. No mesmo dia, o Carrefour lança na web o vídeo "Onde está sua ecobag?". A ideia é ampliar a divulgação da campanha e contagiar os internautas para que o vídeo se torne uma verdadeira febre online.
    Durante todo o dia 15, as operadoras de celular, TIM e Vivo, vão enviar mensagens sobre consumo consciente aos seus mais de 40 mil e 66 mil seguidores do Twitter. Já a livraria Saraiva vai distribuir 150 mil marcadores de páginas do Dia do Consumidor Consciente nas lojas da rede, que ainda terão banners instalados com a identidade visual da campanha Saco é um Saco.
    Curtas de animação
    O MMA e o Ministério da Cultura lançam a segunda edição do concurso de curtas de animação, o 2 CineAmbiente, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, às 16h. Na oportunidade, serão exibidos em primeira mo os curtas premiados no 1ºCineAmbiente, promovido em 2009.
    Para o 2º CineAmbiente serão selecionados dez projetos e cada um receber R$ 20 mil para produções de 1 minuto sobre o tema Consumo Sustentável e Biodiversidade. A principal janela de exibição dos curtas será o circuito Tela Verde do MMA e das TVs públicas. As inscrições ficam abertas até 20 de novembro.

    Republica federativa do Brasil - MMA

    segunda-feira, 11 de outubro de 2010

    Baratas: “Praga infernal”

    A cada ano, a Ciência avança em diversas áreas, ampliando o conhecimento em questões como genética, ecologia e doenças de todos os tipos. No entanto, uma questão vem sendo alvo das mais variadas especulações, sem ter o devido respaldo científico: as baratas.

    Estes pequenos artrópodes são, ao mesmo tempo, abominados e mitificados pelos seres humanos. As indagações a respeito das baratas são tantas que já renderam até filmes de ficção como Praga infernal, de 1975; Baratas assassinas, de 1998; Joe e as baratas, de 1996, entre outros. Acredita-se até que as baratas sejam capazes de sobreviver a ataques nucleares.

    Em virtude disso, um grupo de pesquisadores da UFRJ decidiu estudar mais a fundo esses insetos, a fim de desmistificá-los e mostrar que as baratas têm, apesar de tudo, um papel importante no meio ambiente.

    Segundo a bióloga Suzete Bressan Nascimento, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF/UFRJ), o projeto “Baratas: procuradas vivas ou mortas”, coordenado pelo biólogo Hatisaburo Masuda, nasceu a partir de um estudo com vespas, um inimigo natural da barata. De acordo com a bióloga, a vespa parasita a estrutura de proteção dos ovos das baratas, uma cápsula chamada ooteca, impedindo que as larvas nasçam. “Isso faz com que a vespa controle naturalmente a população de baratas. Nosso objetivo é trocar dez baratas por uma vespa”, afirma.

    O asco dos seres humanos com relação às baratas tem origem na infestação do inseto nas áreas domésticas. “A barata é um vetor contaminante. Ela vive no lixo, em esgotos e se alimenta de matéria orgânica em decomposição. Tudo isso gera certo nojo nas pessoas, que podem até desenvolver entomofobia, que é a aversão a insetos”, explica. Segundo a bióloga, as baratas são uma das causas, até mesmo, de infecções hospitalares.

    No entanto, o extermínio desses insetos não seria solução viável, pois poderia levar a um desequilíbrio ambiental. “As baratas são decompositoras, fazem parte da cadeia alimentar. Elas compõem um ciclo que contribui para o equilíbrio da natureza, além de servirem também de alimento para pequenos animais, como pássaros, roedores e anfíbios”, conclui Suzana Bressan.

    Para evitar a infestação, o ideal é manter um alto grau de higiene nas áreas domésticas. Acúmulo de lixo ou resto de alimentos geram o ambiente perfeito para a proliferação de insetos e, em especial, da barata.

    Fonte: Stephanie Tondo / Olhar Vital -UFRJ

    sexta-feira, 8 de outubro de 2010

    ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS 2010: EM LEILÃO, OS OVÁRIOS DAS MULHERES!


    “Isso aqui”, o Brasil, não é um colônia religiosa, não é um Reino e nem um Império, é uma República! Dado o clima do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, parece que as urnas vão parir uma Rainha ou um Rei de Sabá, uma Imperatriz ou um Imperador, que tudo pode, manda em tudo e que suas vontades e ideias, automática e obrigatoriamente, viram lei! Não é bem assim…
    Bastam dois neurônios íntegros para nos darmos conta que o macabro leilão de ovários de todas as brasileiras, em que o aborto virou cortina de fumaça, objetiva encobrir o discurso necessário para o povo brasileiro do que significa, timtim por timtim, eleger Serra.
    No tema do aborto a tendência mundial é, no mínimo, o aumento dos permissivos legais, que no Brasil são dois, desde 1940: gravidez resultante de estupro e risco de vida da gestante.  Pontuando que legalização do aborto ou o acesso a um permissivo legal existente não significa jamais a obrigatoriedade de abortar, apenas que a cidadã que dele necessitar não precisa fazê-lo de modo clandestino, praticando desobediência civil e nem arriscando a sua saúde e a sua vida, cabe ao Estado laico e democrático colocar à disposição de suas cidadãs também os meios de acessar um procedimento médico seguro, como o abortamento.
    Negá-lo, como tem feito o Brasil, que se gaba de possuir um dos sistemas de saúde mais badalados do mundo que garante acesso universal a TODOS os procedimentos médicos que não estão em fase de experimentação, é imoral, pois quebra o princípio do acesso universal do direito à saúde! Eis os termos éticos para o debate sobre o aborto numa campanha eleitoral.
    Então, o que estamos assistindo nas discussões do atual processo eleitoral é uma disputa para ver quem é a candidatura mais CAPAZ de desrespeitar os princípios do SUS, pasmem, em nome de Deus, num Estado laico! Ora, quem ocupa a presidência da República pode até ser carola de carteirinha, mas para consumo pessoal e não para impor seus valores para o conjunto da sociedade, pois a República não é sua propriedade privada!
    Repito, não podemos esquecer que isso aqui, o Brasil, é uma República que se pauta por valores republicanos a quem todos nós devemos respeito, em decorrência, não custa nada dizer às candidaturas que limitem as demonstrações exacerbadas de carolice ao campo do privado, no recesso dos seus lares e de suas igrejas, pois não estão concorrendo ao governo de um Estado teocrático, como parece que acreditam. Como cidadã, sinto-me desrespeitada com tal postura.
    As opções religiosas são direitos pétreos e questões do fórum íntimo das pessoas numa democracia. Jamais o norte legislativo de uma Nação laica, democrática e plural. Para professor uma fé e defendê-la é preciso liberdade de religião, só possível sob a égide do Estado laico, onde o eixo das eleições presidenciais é a escolha de quem a maioria do povo considera mais confiável para trilhar rumo a um país menos miserável, de bem-estar social, uma pátria-mátria para o seu povo.
    Ou há pastores/as e padres que insistem em ignorar a realidade? “Chefe religioso” ignorante de que a sua religião necessita das liberdades democráticas como do ar que respiramos, não merece o lugar que ocupa, cabendo aos seus fiéis destituí-los do cargo, aí sim em nome de Deus, amém!
    O leilão de ovários em curso resulta de vigarices e pastorices deslavadas, de má-fé e falta de escrúpulos que manipulam crenças religiosas de gente de boa-fé para enganá-las, como a uma manada de vaquinhas de presépio, vaquejadas por uma Madre Não Sei das Quantas, cristã caridosa e reacionária disfarçada de santa, exemplar perfeito de que pessoas desse naipe só a miséria gera. Num mundo sem miséria, madres lobas em pele de cordeiro são desnecessárias e dispensáveis. É pra lá que queremos ir e o leilão de ovários quer impedir!
    Quem porta uma gota de lucidez tem o dever, moral e político, de não permitir que a escória fundamentalista de qualquer religião, que faz da religião um balcão de negociatas que vende Deus, pratica pedofilia e fica impune e ainda tem a cara de pau de defender a impunidade para pedófilos e os acoberta desde os tempos mais remotos, nos engabele e ande por aí com uma bandeja de ovários transformando a escolha de quem presidirá a República num plebiscito pra definir quem tem mais mão de ferro pra mandar mais no território do corpo feminino!
    Cadê a moral dessa gente desregrada para querer ditar normas de comportamento segundo a sua fé religiosa para o conjunto da sociedade, como se o Brasil fosse a sua “comunidade religiosa”? Ora, qualquer denominação religiosa em terras brasileiras está também obrigada ao cumprimento das leis nacionais, ou não? Logo o que certas multinacionais da religião fizeram no processo eleitoral 2010 tem nome, chama-se ingerência estrangeira na soberania nacional. E vamos permitir sem dar um pio?
    Diante dessa juquira (brotação da mata pós-desmatamento), onde só medrou urtiga e cansanção, cito Brizola, que estava coberto de razão quando disse: “O Brasil é um país sem sorte”, pois em pleno Século 21 conta com candidaturas presidenciais (não sobra uma, minha gente!) reféns dos setores mais arcaicos e feudais de algumas religiões mercantilistas de Deus.
    É hora de dar um trato ecológico na juquira que empana os ideais e princípios republicanos, fora dos ditames da “moderna” agenda verde financeira neoliberal da “nova política”, que no Brasil é infectada de carcomidas figuras, que bem sabemos de onde vieram e pra onde vão, se o sonho é fazer do Brasil um jardim de cidadania, similar ao que Cecília Meireles tão lindamente poetou.
    “Quem me compra um jardim com flores?/ borboletas de muitas cores,/ lavadeiras e passarinhos,/ ovos verdes e azuis nos ninhos?/ Quem me compra este caracol?/ Quem me compra um raio de sol?/ Um lagarto entre o muro e a hera,/ uma estátua da Primavera?/ Quem me compra este formigueiro?/ E este sapo, que é jardineiro?/ E a cigarra e a sua canção?/ E o grilinho dentro do chão?/ (Este é meu leilão!)” [Leilão de Jardim, Cecília Meireles].
    Em 2010 em nosso país o que está em jogo é também a luta por uma democracia que se guie pela deferência à liberdade reprodutiva e que considere a maternidade voluntária um valor moral, político e ético, logo respeita e apoia as decisões reprodutivas das mulheres, independente da fé que professam. Nada a ver com a escolha de quem vai mandar mais no território dos corpos das mulheres! Então, xô, tirem as mãos dos nossos ovários!

    E-mail: fatimaoliveira@ig.com.br  * Fátima Oliveira é médica e escritora. Feminista. Integra o Conselho Diretor da Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR) e o Conselho Consultivo da Rede de Saúde das Mulheres Latino-americanas e do Caribe (RSMLAC). Escreve uma coluna semanal no jornal O Tempo (BH, MG), desde 3 de abril de 2002. Uma das 52 brasileiras indicadas ao Nobel da Paz 2005, pelo projeto 1000 Mulheres para o Nobel da Paz 2005. Autora dos seguintes livros de divulgação e popularização da ciência: Engenharia genética: o sétimo dia da criação (Moderna, 1995 – 14a. impressão, atualizada em 2004); Bioética: uma face da cidadania (Moderna, 1997 – 8a. impressão atualizada, 2004); Oficinas Mulher Negra e Saúde (Mazza Edições, 1998); Transgênicos: o direito de saber e a liberdade de escolher (Mazza Edições, 2000); O estado da arte da Reprodução Humana Assistida em 2002 e Clonagem e manipulação genética humana: mitos, realidade, perspectivas e delírios (CNDM/MJ, 2002); Saúde da população Negra, Brasil 2001 (OMS-OPS, 2002). Autora dos seguintes romances: A hora do Angelus (Mazza Edições, 2005); Reencontros na travessia: a tradição das carpideiras (Mazza Edições, 2008); e Então, deixa chover (no prelo). Belo Horizonte, 07 de outubro de 2010.